Cientistas descobriram que os cães podem estar entrando em uma nova fase de domesticação, à medida que os humanos modernos buscam cada vez mais animais de estimação mais calmos e amigáveis.
Algumas décadas atrás, os cães eram valorizados principalmente para tarefas como caça, pastoreio de gado e fornecimento de proteção. Hoje, no entanto, os cães podem estar evoluindo para se encaixar no estilo de vida urbano e mais sedentário dos humanos, tornando-se mais adequados para a vida na cidade.
Um estudo revelou que a ocitocina, frequentemente chamada de “hormônio do amor”, desempenha um papel fundamental em levar os cães a buscar afeição e interação com seus donos. À medida que os humanos se tornam mais afeiçoados a animais de estimação afetuosos, os cães estão se tornando cada vez mais sensíveis a esse hormônio.

Pesquisadores da Universidade de Linköping, na Suécia, liderados pelos especialistas caninos Brian Hare e Vanessa Woods, exploraram como os cães desenvolveram sua habilidade única de trabalhar com humanos e como os estilos de vida modernos podem estar influenciando suas características. Em um experimento, 60 golden retrievers receberam uma tarefa aparentemente impossível: abrir um pote de guloseimas. Os cães foram testados duas vezes — uma após receber um spray nasal de ocitocina e outra com um spray salino neutro. O estudo descobriu que cães com uma variante genética específica do receptor de ocitocina eram mais propensos a buscar ajuda de seus donos após receber o spray de ocitocina.

Este experimento confirmou que os níveis de oxitocina impactam significativamente os comportamentos sociais de um cão e o relacionamento com humanos. Os resultados também mostraram que a sensibilidade de um cão a interações sociais é parcialmente impulsionada por sua genética.
Cães de serviço, especialmente treinados para auxiliar seus donos, também exemplificam essa evolução. Ao contrário da maioria dos cães de estimação, os cães de serviço são naturalmente atraídos por estranhos, mesmo quando filhotes. De acordo com Woods e Hare, essa crescente simpatia alterou a biologia dos cães, muito parecida com as mudanças que ocorreram milhares de anos atrás, quando lobos selvagens começaram a se adaptar aos assentamentos humanos. Com o tempo, esses lobos se tornaram atraídos por humanos em vez de medrosos ou agressivos.

A segunda onda de domesticação ocorreu após a Revolução Industrial, quando o aumento da renda disponível levou as pessoas a criar cães para características físicas específicas, refletindo seu status social. Esse período deu origem a muitas das 200 raças de cães reconhecidas hoje pelo American Kennel Club.