Durante seis anos, orgulhei-me de ser um gestor justo, respeitando sempre as regras da empresa. Por isso, quando a Célia se atrasou pela terceira vez nesse mês, não tive outra escolha senão deixá-la ir. Ela saiu silenciosamente, sem protestar.

Mais tarde, ouvi colegas de trabalho a falar sobre as dificuldades pessoais de Célia. Estava a passar por um momento difícil, tendo de conciliar os cuidados com o filho pequeno e ao mesmo tempo tentar aceder a recursos na cidade. Percebendo que tinha cometido um erro, localizei-a num parque de estacionamento, pedi-lhe desculpa e ofereci-lhe o emprego de volta, juntamente com apoio de programas locais.
Com o tempo, as coisas começaram a melhorar para Celia: encontrou um novo apartamento, recebeu um pequeno aumento salarial e teve acesso a ajuda da comunidade. Umas semanas depois, a Celia agradeceu-me, não apenas pelo emprego, mas por a ver como uma pessoa, não apenas como uma empregada.
Esta experiência fez-me lembrar que, embora as regras sejam importantes, a bondade e a compaixão fazem muitas vezes a maior diferença.