Quando Lupita e Carmen Andrade nasceram, em 2002, os médicos foram cautelosos no seu prognóstico. As meninas nasceram unidas pelo abdómen, um caso raro de gémeas siamesas.
Os médicos disseram abertamente aos pais que os bebés provavelmente não viveriam para ver o seu primeiro aniversário. No entanto, o destino decretou o contrário.
Desde o primeiro dia de vida, as irmãs tiveram de dividir não só a atenção das pessoas que as rodeavam, mas também órgãos vitais: várias costelas, um fígado, parte dos sistemas circulatório, digestivo e até reprodutor.

Cada uma controla apenas uma perna: Carmen na direita, Lupita na esquerda. Aprender a andar, manter o equilíbrio e mover-se em sincronia foi um verdadeiro desafio para elas.
A medicina moderna ofereceu uma solução: a separação cirúrgica. Mas Carmen e Lupita opuseram-se desde o início. Os riscos eram enormes, e as raparigas não estavam dispostas a pagar pela liberdade à custa da vida de uma delas.

Mas, apesar da ligação física, cada uma das irmãs mantém a sua individualidade e o direito de escolha. Uma delas conduz um carro, a outra está apaixonada e já aceitou o pedido de casamento do amado.
Juntos, sonham em tornar-se veterinários e já se preparam para frequentar a faculdade, pois ambos adoram animais desde pequenos e querem ajudá-los.

Uma das tarefas mais difíceis era escolher a roupa. Encontrar um uniforme adequado que servisse nas duas coisas ao mesmo tempo e que fosse confortável parecia impossível.
Um vizinho veio em meu socorro, um alfaiate que começou a costurar roupas por medida, tendo em conta todas as características do seu corpo.