Uma cadeira centenária restaurada que traz a história de volta à vida com amor e respeito pelo passado.

Numa manhã de Inverno, enquanto passeava por um mercado de velharias, reparei numa cadeira antiga de nogueira, datada de antes de 1860. O seu encosto assimétrico e o seu charme de época chamaram-me imediatamente a atenção. Por uma pequena quantia, aceitei-a, confiante de que não se tratava apenas de um móvel… mas de uma peça histórica.

Esta cadeira passou por muitas provações e tribulações, mas senti que poderia restaurá-la à sua antiga glória. 

A cada passo que dávamos, sentia o seu verdadeiro eu a regressar. 

O estado deixava muito a desejar: estofos em crina de cavalo, molas cansadas, pernas encurtadas, verniz danificado… mas só lhe via potencial.

Juntamente com o meu companheiro, um carpinteiro, reforçámos as articulações, alongámos as pernas, retirámos centenas de pregos forjados à mão e reparámos cada peça com cuidado e respeito.

Sem verniz brilhante: escolhi um óleo restaurador incolor que permite que a madeira “respire” e conte a sua história.

E o tecido? Modesto, elegante, fiel à sua época.

Cintos de corda, molas, estofos de fibra vegetal: tudo foi restaurado de acordo com a tradição antiga, passo a passo, à mão.

Hoje, esta cadeira está orgulhosamente na minha sala de estar. Ela já não é apenas um objeto funcional… tem alma.

 

Restaurar não é apenas reparar. É ouvir o passado, honrar as antigas tradições artesanais e dar uma segunda oportunidade ao objeto, repleta de amor e história.

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