Encontro com a minha mãe perdida, anos após o seu falecimento, no funeral do meu pai

Tinha sete anos quando a minha mãe me abandonou. Desde esse dia, existe um vazio na minha vida, um vazio que aprendi a preencher com o tempo, mas que nunca desapareceu.

Quando o meu pai faleceu, perdi uma figura importante, mas, ao mesmo tempo, vi-me sozinha, a enfrentar o passado que me perseguia. O que eu não esperava era a presença da minha mãe no seu funeral.

Ela estava ali, parada junto ao caixão, com o olhar penetrante, como se tivesse esperado por este momento toda a vida.

Ela veio ter comigo, olhando-me com um olhar cheio de reprovação. Não fazia ideia do que ela queria.

Um simples movimento, mas que mudou tudo. O que me queria dizer a minha mãe depois de tantos anos de ausência? Porquê agora e porquê neste momento?

Ela veio ter comigo e disse algo.

O que ela disse chocou-me… 😯 Descobri o motivo da sua saída. 😯 Como é possível? Como é que uma mãe pôde fazer isso?

O que ela fez chocou-me. Ela aproximou-se de mim, quase como se me fosse tocar, mas parou a poucos centímetros de distância. Um silêncio pesado instalou-se entre nós, mais pesado que a dor da perda.

Depois, com uma voz fria e quase indistinta, disse: “Nunca foste a filha que eu esperava”.

As suas palavras atingiram-me como uma bofetada, frias e diretas. Cada palavra, cada tom da sua voz fazia-me lembrar como ela me tinha deixado, da traição.

Naquele momento, pareceu-me que todo o passado, todas as feridas que tinha deixado para trás, tinham voltado a ganhar vida num instante.

Depois ela virou-se e foi embora sem dizer mais nada. Deixou-me ali, sozinho no meio de uma multidão, numa sala onde todos pareciam incapazes de compreender a gravidade do que eu acabara de viver.

Naquele momento, percebi que, por mais anos que passem, algumas feridas nunca cicatrizam.

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