Estava prestes a iniciar a operação, mas um pormenor no corpo do paciente fez-me parar imediatamente.

Estava prestes a iniciar a operação, mas um pormenor no corpo do paciente fez-me parar imediatamente. 

A sala de operações estava como sempre: uma agitação quase mecânica. As enfermeiras dispunham cuidadosamente os instrumentos em mesas esterilizadas enquanto eu verificava as luzes e dava instruções aos assistentes. O barulho monótono das máquinas vinha do outro lado da porta entreaberta.

“O doente foi trazido inconsciente”, disse-me o anestesista com voz calma. “Foi encontrado na rua. A tensão arterial está instável, mas estamos prontos para começar.”

“O principal é começar à hora certa”, respondi, ajustando o meu avental esterilizado. “Se tudo correr como planeado, temos boas hipóteses de o salvar.

Fomos até aos lavatórios, com movimentos precisos e automáticos: lavámos as mãos, colocámos luvas e máscaras. As enfermeiras já tinham coberto o doente com um cobertor azul, instalado sensores e monitores. O ar estava impregnado do cheiro a anti-sépticos. Tudo corria normalmente.

Aproximei-me do doente, peguei no instrumento… mas algo me fez parar de repente. O meu olhar estava fixo na zona de pele visível. O meu rosto franzido dizia tudo o que sentia. Lentamente, larguei o instrumento. 

“A operação foi cancelada”, disse eu com voz firme.

Fez-se um silêncio mortal na sala. 

“Cancelado?!” exclamou a enfermeira, com evidente indignação. “Se não fizermos nada agora, ele não vai sobreviver!”

“Não posso correr esse risco”, expliquei. “O protocolo deve ser seguido em situações como esta”.

Saí sem dizer uma palavra e tirei as luvas.

A enfermeira, intrigada, aproximou-se da doente para perceber a minha decisão e descobriu então… Algo chocante.

As seguintes palavras foram escritas na pele do paciente com tinta preta:

Não ressuscite

Nestes casos, tais instruções podem ser consideradas uma instrução legal vinculativa que proíbe qualquer intervenção cirúrgica, mesmo que isso signifique privar o paciente da hipótese de sobrevivência.

Os médicos são obrigados a respeitar este desejo, embora possa parecer cruel numa situação em que todos os minutos contam.

Algumas pessoas acham engraçado fazer tatuagens com “mensagens” ou imagens simbólicas sem compreender o seu real significado. Mas, num momento crucial, isso pode significar a sua morte.

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