Uma mulher entregava uma carta ao carteiro todos os dias com a mesma morada, mas nunca recebia resposta: o carteiro decidiu descobrir o que se passava 😲😱
O carteiro estava habituado à sua rota matinal. Entre todas as moradas, havia sempre uma que lhe evocava um sentimento especial: a casa de uma senhora idosa que vivia sozinha num pequeno apartamento no primeiro andar. Todos os dias, ela recebia-o com um envelope nas mãos, cuidadosamente endereçado com o mesmo endereço. Sempre o mesmo nome do destinatário, a mesma cidade, a mesma rua.
“Bom dia”, acenou-lhe com a cabeça.

“Bom dia”, respondeu o carteiro, estendendo a mão para receber a carta.
“Ele não se vai perder, pois não?”, perguntava ela todas as vezes.
“Ele não se vai perder”, assentiu, como de costume.
Certo dia, ultrapassando a sua hesitação, perguntou porque chegavam tantas cartas e nenhuma resposta.
“Diz-me, tu… recebes respostas dele?”, perguntou, cautelosamente.
A mulher apertou o pedaço de papel dobrado contra o peito, como se temesse que ele lho tirasse.
“Não, não vêm.” Ela baixou os olhos.
– Talvez ele esteja ocupado?
“Talvez”, disse ela, com um sorriso triste. “O meu filho sempre foi um bom rapaz. Teria respondido se pudesse.”
O carteiro sentia algo desagradável por dentro. Todos os dias – uma carta. Todos os dias – sem resposta.
“Desculpe”, suspirou, “mas posso perguntar… porque é que escreve com tanta frequência?”

A mulher respirou fundo.
— Porque senão vou esquecer-me da voz dele. Vou esquecer o riso dele. Nestas cartas, falo com ele como antes.
À noite, sem aguentar mais, o carteiro dirigiu-se à morada para onde enviava as cartas. E depois viu algo assustador e muito inesperado 😢😢
Descobriu-se que a pessoa a quem eram destinadas tinha falecido há muitos anos.
No dia seguinte, estava novamente parado à porta da velha.
“Bom dia”, sorriu ela, estendendo uma nova carta.
“Já lá estive”, disse, com dificuldade em encontrar as palavras. “Preciso de te contar a verdade.”
A mulher olhou-o calmamente.
“O seu filho… morreu”, disse o carteiro.
“Eu sei”, ela assentiu silenciosamente. “Eu sei disso há muito tempo.”
Estava sem saber o que fazer.
— Porquê… cartas?

“Alguma vez perdeste a pessoa que mais amavas?”, perguntou ela tão suavemente que ele quase se engasgou. “Se parar de escrever, terei de admitir que ele se foi embora. E eu não estou preparada para isso.”
Ele ficou em silêncio. Então, disse cautelosamente:
– Posso ir ter contigo. Posso ouvir se me quiser contar algo.
A mulher olhou-o surpreendida e, pela primeira vez em muito tempo, sorriu sinceramente.
— Obrigada. Você é uma pessoa muito amável.
A partir de então, não lhe trouxe mais cartas. Mas vinha visitá-la todos os dias – apenas para ouvir as suas histórias. E nestas histórias, o filho ainda vivia.