O cantor espanhol Julio Iglesias se pronunciou após duas mulheres o acusarem publicamente de comportamento violento e inadequado enquanto trabalhava para ele. O ícone da música internacional, de 82 anos, pai do astro pop Enrique Iglesias e artista que vendeu mais de 300 milhões de discos em todo o mundo, está sendo investigado judicialmente na Espanha após reportagens do elDiario.es e da Univision.

As alegações envolvem duas ex-funcionárias das propriedades de Iglesias em Punta Cana, República Dominicana, e Lyford Cay, Bahamas. Uma das acusadoras, identificada como Rebeca, uma empregada doméstica da República Dominicana, afirma que Iglesias a chamou repetidamente para seu quarto em 2021 e a tocou sem consentimento. Ela também alegou ter sido forçada a praticar atos sexuais com outra funcionária e descreveu ter sofrido abuso físico, incluindo tapas no rosto.

A segunda mulher, uma fisioterapeuta venezuelana que usou o pseudônimo Laura, acusou Iglesias de beijos e toques indesejados, inclusive na praia e na piscina de sua casa em Punta Cana. Ela também descreveu um ambiente de trabalho controlador, incluindo ameaças de demissão, restrições alimentares impostas e pedidos de informações pessoais, como seu ciclo menstrual. Laura acrescentou que outras funcionárias sofreram coerção semelhante e que algumas não conseguiam recusar suas investidas.

Relatos indicam que várias ex-funcionárias foram obrigadas a se submeter a exames ginecológicos, testes de DSTs, testes de gravidez e ultrassonografias pélvicas. Denúncias judiciais foram registradas em 5 de janeiro, alegando agressão sexual e tráfico de pessoas, sob a jurisdição do tribunal nacional espanhol por supostos crimes cometidos fora do país. Veículos de imprensa investigativos afirmam que as provas incluem mensagens de texto, registros telefônicos, laudos médicos e fotografias.
Iglesias negou todas as acusações, afirmando no Instagram que nunca abusou ou coagiu ninguém, descrevendo as alegações como “completamente falsas” e expressando profunda tristeza pelas acusações. Ele agradeceu aos apoiadores e amigos que enviaram mensagens de solidariedade, incluindo figuras de destaque como Isabel Díaz Ayuso, presidente da região de Madri.

As reações do público têm sido diversas. Enquanto alguns defendem Iglesias, outros, incluindo autoridades espanholas como a Ministra da Igualdade, Ana Redondo, e a líder do Podemos, Ione Belarra, enfatizaram a necessidade de uma investigação minuciosa e de responsabilização, especialmente em casos que envolvem figuras poderosas e ricas. Entretanto, surgiram discussões sobre a possível revogação da Medalha de Ouro de Mérito em Belas Artes da Espanha concedida a Iglesias.


Mónica Gonzaga, uma modelo argentina que namorou Iglesias no passado, expressou choque com as alegações, descrevendo o cantor que conhecia como educado e cavalheiro. Ela enfatizou que sua experiência pessoal não se estende às recentes acusações, mas sugeriu que, se verdadeiras, o comportamento poderia ser indicativo de sérios problemas mentais ou cognitivos.
A investigação continua enquanto o judiciário espanhol examina as acusações, avaliando provas documentais e depoimentos para determinar se o processo criminal prosseguirá. O caso reacendeu o debate sobre responsabilidade, consentimento e proteção de funcionários em ambientes de trabalho internacionais de grande visibilidade.