Maria Franca Ferrero morre aos 87 anos: ‘Imperatriz da Nutella’, que certa vez disse não gostar de chocolate, deixa para trás um império de confeitaria.

Maria Franca Ferrero, a matriarca bilionária da dinastia Ferrero e frequentemente apelidada de “imperatriz da Nutella”, faleceu aos 87 anos.

A viúva do magnata da confeitaria Michele Ferrero faleceu na madrugada de quinta-feira em sua casa em Alba, na província italiana de Cuneo. A tranquila cidade do norte da Itália não só abriga a fábrica da Ferrero, como também é amplamente considerada o berço do mundialmente famoso creme de chocolate Nutella.

Maria atuou durante anos como presidente do Grupo Ferrero, a potência global por trás de marcas adoradas como Nutella, Ferrero Rocher, Kinder e Tic Tac. Sob a liderança da família, a empresa se expandiu e se tornou uma das maiores fabricantes de confeitaria do mundo, com presença em diversos continentes.

Ela se casou com Michele em 1962, aos 24 anos — e, como é sabido, o avisou de antemão que “não gostava de chocolate”. O comentário tornou-se parte do folclore da Ferrero, uma contradição encantadora no coração de um dos impérios empresariais mais doces do mundo. Refletindo sobre seu casamento anos depois, Maria desmentiu os rumores de que teria trabalhado como secretária do marido, insistindo que a história deles foi de amor verdadeiro desde o início. “Foi amor à primeira vista”, disse ela em uma entrevista antiga.

Quando Michele faleceu em 2015, Maria herdou o controle total do vasto conglomerado familiar. Na época, o Grupo Ferrero contava com cerca de 40 fábricas, empregava quase 50.000 pessoas em todo o mundo e gerava uma receita anual de aproximadamente 15,7 bilhões de libras. Embora mantivesse um perfil público relativamente discreto em comparação com outros herdeiros bilionários, ela desempenhou um papel fundamental na preservação do legado e dos valores da família.

As homenagens surgiram rapidamente após a notícia de seu falecimento. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, elogiou Maria como um símbolo do empreendedorismo italiano que jamais perdeu de vista suas responsabilidades comunitárias ou filantrópicas. A ministra das Reformas Institucionais, Elisabetta Casellati, descreveu sua morte como algo que deixa “um vazio imenso”, destacando não apenas a importância global de sua empresa, mas também seu calor humano e sua elegância. Ela lembrou Maria como uma mulher de rara bondade e sensibilidade, alguém que ouvia mais do que falava e exercia sua influência com dignidade discreta.

Apesar de sua imensa riqueza — estimada em cerca de 1,8 bilhão de libras — Maria manteve fortes laços com Alba, onde a história da Ferrero começou no pós-guerra. A identidade da cidade sempre esteve intrinsecamente ligada ao sucesso da empresa, e sua morte teve grande repercussão na comunidade local.

Ela deixa o filho Giovanni Ferrero, que atualmente preside o Grupo Ferrero, além das noras Paula e Luise e cinco netos. Seu outro filho, Pietro Ferrero, faleceu tragicamente em 2011 após adoecer enquanto pedalava na África do Sul — uma perda que afetou profundamente a família.

A vida de Maria Franca Ferrero foi marcada por romance, resiliência e um notável sucesso comercial. Embora certa vez tenha brincado dizendo que não gostava de chocolate, ela acabou se tornando uma das figuras mais influentes por trás de um império construído sobre ele — deixando uma marca indelével na indústria italiana e em uma marca conhecida em lares de todo o mundo.

Videos from internet