A história dela, resumidamente, é a seguinte: Noelia cresceu em uma família problemática em Barcelona: seus pais perderam a guarda dela e ela passou parte da infância em abrigos. Em 2022, aos 21 anos, foi vítima de um estupro coletivo. Depois disso, desenvolveu depressão clínica e tentou suicídio duas vezes. A segunda tentativa — uma queda do quinto andar — a deixou paralítica.
Em 2024, após dois anos vivendo em instalações médicas e acamada, Noelia solicitou a eutanásia. Ela passou por todas as avaliações necessárias, incluindo psicoterapia e avaliações psicológicas, e obteve aprovação. Médicos de diferentes especialidades concluíram que seu caso atendia aos critérios: condição grave e irreversível, dor constante, perda da capacidade de viver uma vida plena e capacidade preservada de tomar decisões informadas.

Nesse momento, o pai dela — com quem Noelia tinha uma relação muito difícil — interveio. Ele se opôs ao procedimento de eutanásia, alegando que a filha precisava de tratamento psiquiátrico e argumentando que a morte dela lhe causaria sofrimento. Ele recorreu com a ajuda de “Advogados Cristãos”, o que levou a uma batalha judicial que durou dois anos.
O caso foi resolvido ontem: o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos recusou-se a revogar a autorização para a eutanásia. O processo está agendado para amanhã, quinta-feira, 26 de março. Esta noite, a televisão espanhola transmitiu uma entrevista com Noelia, na qual ela explicou os motivos da sua decisão.
As redes sociais em língua russa na Espanha reagiram intensamente, com apelos para salvar Noelia a qualquer custo. Ao mesmo tempo, o fato de ela ter sofrido traumas severos, tentado suicídio diversas vezes e passado dois anos lutando pelo direito de tomar suas próprias decisões parece estar sendo ignorado.
Em outras palavras, algumas pessoas acreditam ter o direito de proibir e forçar os outros. O que você acha disso?