O tempo parece não apagar a dor que Zulmira Garrido carrega no peito desde a partida prematura do seu filho, o DJ Eddie Ferrer. Em um desabafo carregado de emoção e detalhes que ainda hoje a deixam perplexa, a comentadora abriu o coração para recordar os últimos instantes em que esteve fisicamente com o seu maior tesouro, revelando um comportamento que agora, com o distanciamento da tragédia, soa como uma despedida silenciosa e antecipada. A perda de Eddie, que nos deixou aos 42 anos após um aneurisma fulminante na Turquia, continua a ser uma ferida aberta, mas são os pequenos gestos daquele último dia em casa que ecoam na mente de Zulmira como um presságio difícil de ignorar.
Zulmira descreve uma cena que ficou gravada na sua memória com uma nitidez dolorosa. Naquela manhã, Eddie preparava-se para mais uma viagem de trabalho, algo que fazia parte da sua rotina vibrante como DJ internacional. No entanto, algo estava diferente. O ritual de saída, que habitualmente era rápido e decidido, transformou-se num ciclo de idas e vindas que Zulmira não consegue esquecer. Ele atravessou a porta para sair, mas, inexplicavelmente, sentiu a necessidade de voltar atrás. Não uma, mas duas vezes. Ele saiu de casa, caminhou até ao carro e, de repente, regressou para abraçar a mãe novamente. Depois, voltou a sair e, mais uma vez, subiu as escadas para um último olhar, um último gesto de carinho, como se algo dentro dele soubesse que aquele era o derradeiro adeus naquele cenário familiar.
A comentadora relembra que, na altura, tentou encarar a situação com naturalidade, mas o seu instinto de mãe já sentia um aperto estranho. Esse comportamento repetitivo de Eddie, que nunca foi de hesitações, transparecia uma ligação espiritual profunda. Ele olhava para ela de uma forma diferente, com uma intensidade que Zulmira agora interpreta como uma tentativa de fixar o rosto da mãe para a eternidade. A partida para o Catar, com escala na Turquia, seria o início do fim, e aquele vai-vem no corredor de casa tornou-se o prólogo de uma das maiores tragédias da vida social portuguesa dos últimos anos.
Hoje, Zulmira Garrido olha para trás e vê naquele momento um aviso do destino. Ela partilha que a sensação de vazio é constante, mas que se agarra a essas memórias para manter viva a essência do filho. O relato é um mergulho profundo no luto de uma mãe que viu o seu mundo desabar longe de casa, enquanto o filho lutava pela vida num hospital estrangeiro. A força de Zulmira em falar sobre estes detalhes íntimos serve como um tributo a Eddie, garantindo que o seu nome e a sua doçura não sejam esquecidos, especialmente o amor que ele demonstrou até ao último segundo antes de fechar a porta de casa pela última vez. É a narrativa de um amor que transcende a vida e que se manifestou naquelas duas voltas atrás, num gesto que hoje faz todo o sentido para quem ficou a lidar com a saudade.