A voz que durante anos marcou o início das manhãs de milhares de portugueses está de volta ao ar — mas num cenário que ninguém imaginava há poucos meses. Nuno Markl, de 54 anos, prepara o seu regresso à Rádio Comercial depois de ter enfrentado um período extremamente delicado na sua vida, marcado por dois acidentes vasculares cerebrais em apenas seis meses.
O comunicador regressa à rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão”, que vai para o ar de segunda a sexta-feira às 8h45, retomando assim um dos projetos mais icónicos da rádio em Portugal. O anúncio foi feito pelo próprio nas redes sociais, onde deixou claro que este retorno não é apenas profissional, mas também profundamente pessoal, simbolizando uma nova etapa depois de meses de recuperação e incerteza.
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Num tom fiel ao seu estilo irreverente, Markl descreveu esta fase como o início de “uma nova era de bizarria”, mostrando que, apesar das dificuldades enfrentadas, o humor continua a ser uma parte essencial do seu dia-a-dia e da sua forma de lidar com o que aconteceu.
No entanto, este regresso será feito com cautela. Nuno Markl não voltará de imediato ao ritmo habitual em estúdio. As emissões irão acontecer a partir do hospital da Bobadela, onde continua internado, numa adaptação pensada para respeitar o processo de recuperação e evitar qualquer pressão desnecessária. A ligação entre o hospital e a rádio será, assim, o novo formato temporário desta fase, enquanto a presença em estúdio será reservada apenas para momentos pontuais.
O percurso recente do humorista tem sido marcado por desafios significativos. O primeiro AVC ocorreu a 20 de novembro de 2025, e o segundo episódio surgiu ainda durante o internamento, prolongando um período de fragilidade que alterou completamente a sua rotina. Desde então, Markl tem partilhado com o público pequenos fragmentos da sua recuperação, revelando também mudanças importantes no estilo de vida, incluindo a perda de peso e a adoção de novos hábitos.

Nas redes sociais, a reação ao anúncio do regresso foi imediata e intensa. O público, que acompanha há décadas a sua presença na rádio e na televisão, encheu os comentários de mensagens de apoio e emoção. O vínculo entre o comunicador e os ouvintes mantém-se forte, agora ainda mais reforçado por este momento de superação.
“O Homem Que Mordeu o Cão”, criado em 1997, tornou-se uma das rubricas mais marcantes da rádio portuguesa, atravessando gerações e ganhando vida também em livros e outros formatos. Agora, com este regresso em condições tão diferentes, ganha um novo significado: deixa de ser apenas um espaço de humor e passa a ser também um símbolo de resistência, continuidade e recomeço.