O adeus emocionado de Filipe Vargas: Uma perda irreparável que deixa o mundo do teatro em silêncio

O cenário artístico português está de luto e a dor é sentida profundamente por todos aqueles que tiveram o privilégio de privar com João Barbosa. A notícia da partida do conceituado ator, confirmada pela equipa do Teatro do Bairro, caiu como um golpe duro sobre a classe artística, levando Filipe Vargas a recorrer às redes sociais para expressar o seu profundo pesar. Num desabafo carregado de emoção, o ator não poupou elogios à figura humana e profissional que agora nos deixa, reconhecendo a marca indelével que João Barbosa deixou em tantos palcos e nos corações dos seus pares.

Filipe Vargas recordou o momento em que os seus caminhos se cruzaram pela primeira vez, logo após o seu regresso de uma temporada de estudos em Madrid. Com a ambição de se lançar no teatro português, o ator encontrou em João Barbosa um colega inspirador na encenação de António Pires para o clássico ‘Auto da Barca do Inferno’, de Gil Vicente, apresentado no icónico Mosteiro dos Jerónimos. Para Vargas, foi a integração perfeita num grupo já consolidado, facilitada pela generosidade, pelo talento inato e pelo sentido de humor contagiante que João sempre demonstrou, características que o tornavam único entre os seus.

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Ao longo dos anos, a admiração de Filipe Vargas apenas se intensificou. O ator descreveu com carinho a capacidade camaleónica de João Barbosa, que via desdobrar-se numa infinidade de papéis distintos, sempre com uma frescura e uma dedicação que surpreendiam quem o observava. Para Vargas, vê-lo vestir tantas peles diferentes era um verdadeiro privilégio, marcado invariavelmente por uma verdade artística que poucos conseguem atingir. A perda de alguém que define como um ser humano completo e um talento raro é um golpe para a cultura, levando-o a deixar um abraço sentido a todos os que faziam parte do círculo mais próximo de João.

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A partilha de Filipe Vargas foi acompanhada por uma fotografia nostálgica, captada durante a produção de ‘Rei Lear’, de William Shakespeare, também encenada por António Pires para o Teatro do Bairro Alto. Essa imagem, que agora se torna uma relíquia, guarda o último encontro entre os dois atores, um momento que ficará eternamente gravado na memória de Vargas. O Teatro do Bairro também fez questão de prestar a sua homenagem, sublinhando que João Barbosa, nascido em 1969, era muito mais do que um membro da companhia: era o coração, a amizade e a generosidade personificada. A sua alegria única continuará a ecoar na memória de quem teve a sorte de partilhar palcos, sonhos e os inúmeros desafios de uma vida dedicada à arte que ele tão bem serviu.

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