O cenário que envolve os últimos momentos de vida do icónico e histórico dirigente Jorge Nuno Pinto da Costa ganha contornos de um autêntico guião de suspense e mistério no seio familiar. A batalha judicial que agora corre nos tribunais arrasta para a luz do dia um segredo financeiro perturbador que deixou os herdeiros em choque absoluto. Revelações recentes apontam para a existência de mais de 70 contas bancárias ativas apenas em solo português pertencentes ao antigo presidente do Futebol Clube do Porto, um labirinto financeiro inimaginável que se tornou o centro de uma guerra sem tréguas.

A grande e angustiante questão que ecoa nos corredores da justiça e da imprensa é apenas uma: onde está o dinheiro? O filho mais velho do malogrado dirigente, Alexandre Pinto da Costa, decidiu romper o silêncio e avançou com um processo de partilhas e uma queixa-crime devastadora, apontando o dedo a dezenas de movimentações financeiras bizarras que aconteceram precisamente num período de extrema fragilidade do seu pai. Nos meses que antecederam a sua trágica morte, quando o histórico líder portista já se encontrava gravemente debilitado, acamado e, segundo relatos de fontes próximas, sem qualquer discernimento ou capacidade para compreender a realidade dos seus atos, as suas contas foram alvo de um esvaziamento massivo e implacável.

O detalhe mais impressionante e que está a deixar todos em sobressalto envolve uma verba astronómica de 600 mil euros. Um documento polémico anexado ao processo judicial revela que este montante brutal foi levantado inteiramente em numerário, em notas físicas, em dezembro, escassos dois meses antes de Pinto da Costa dar o último suspiro. O pretexto oficial que constava na papelada para justificar o levantamento de tão aparatosa quantia em dinheiro vivo era uma alegada viagem urgente aos Estados Unidos da América para a realização de tratamentos médicos. No entanto, as investigações em curso vieram deitar por terra essa versão, confirmando que nem a referida deslocação além-atlântico nem os tratamentos de saúde chegaram a acontecer.
Para adensar ainda mais o mistério, o documento desse levantamento milionário levanta suspeitas gravíssimas de falsificação e irregularidade. O papel não ostenta nenhum carimbo oficial da respetiva instituição bancária e não possui a assinatura de qualquer funcionário do banco. Como se isso não bastasse, a assinatura que surge atribuída ao próprio Jorge Nuno Pinto da Costa foi posta em causa por ser completamente diferente daquela que o histórico presidente utilizou na alteração formal do seu testamento. O desespero da família aumenta à medida que se percebe que várias contas bancárias que outrora guardavam quantias avultadas ficaram reduzidas a uma miséria absoluta, com saldos completamente esvaziados onde restava, em certos casos, apenas um único cêntimo, como aconteceu numa conta do Santander.
O foco da discórdia e das investigações recai agora de forma muito pesada sobre a viúva do ex-presidente, Cláudia Campo. A última mulher a partilhar a vida com o carismático dirigente vê-se no centro deste turbilhão cível e criminal, sendo diretamente visada na ação judicial movida por Alexandre Pinto da Costa. Cláudia Campo terá de se sentar perante os juízes para prestar esclarecimentos urgentes e detalhados sobre as transferências avultadas e as alegadas dádivas milionárias que recebeu do marido naquela fase terminal. Entre os movimentos financeiros suspeitos que estão sob um escrutínio impiedoso da justiça destaca-se uma transferência direta de 100 mil euros realizada diretamente para a conta bancária pessoal da viúva.
Por um triplo golpe de sorte ou pura impossibilidade técnica, nem tudo conseguiu ser retirado a tempo deste labirinto financeiro antes da morte do antigo dirigente. A investigação policial apurou que restam ainda cerca de 700 mil euros salvaguardados, mas apenas porque esse valor específico se encontrava retido em aplicações financeiras a prazo e fundos de investimento que não permitiam o levantamento imediato em numerário. Esse montante remanescente terá agora de ser integrado obrigatoriamente no complexo e tenso processo de partilhas que opõe os herdeiros diretos à viúva.
Alexandre Pinto da Costa conseguiu recentemente obter uma vitória crucial e muito importante no Tribunal da Relação do Porto, que validou as suas suspeitas e determinou que o caso avance mesmo para um julgamento detalhado no Tribunal Cível, correndo em paralelo com a queixa-crime pelas contas ocultas no estrangeiro que o herdeiro sabe que existem, mas que ainda não conseguiu detetar. A atmosfera é de total corte de relações e grande expectativa para saber que outros segredos e mistérios serão revelados quando as testemunhas começarem a falar diante do juiz.
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