Recusei-me a mudar de lugar e cedi o meu lugar a um casal de idosos: um minuto depois chamaram o condutor e arrependeram-se muito.

Eu sabia que reservar um lugar à janela numa viagem de comboio de 12 horas durante o dia seria um luxo. Mas imaginei que, como iria estar na estrada durante meio dia, queria pelo menos um pouco de conforto. Paguei mais por um lugar específico à janela num vagão silencioso para poder apreciar a paisagem, encostar-me à parede e ler ou dormir uma sesta em paz.

Ao entrar na carruagem e ao sentar-me no meu lugar, senti uma agradável expectativa – aguardava-me uma longa viagem. Enquanto me acomodava, um casal de idosos aproximou-se de mim. A mulher, com cerca de setenta anos, inclinou-se na minha direção com um sorriso amável:

– Com licença, podia mexer-se, por favor? O meu marido adoraria sentar-se perto da janela. Temos lugares sentados do outro lado do corredor, mas ele gosta de observar a natureza.

Olhei para o homem. Não disse nada, apenas olhou para mim.

Não sou insensível. Compreendo como é bom sentar-se perto da janela. Mas não fiquei ali sentado – paguei por este lugar. Eu não me queria mesmo mexer, então disse educadamente:

– Desculpe, mas prefiro ficar no meu lugar. Eu reservei-o especificamente.

A mulher baixou ligeiramente os olhos, o seu sorriso desapareceu.

Senti olhares fixos em mim, como se tivesse feito algo de errado. As pessoas que estavam no vagão começaram a cochichar. Passados alguns segundos, uma senhora idosa chamou o condutor.

“Ela não queria mudar”, disse a mulher, acenando na minha direção.

O condutor olhou para mim, depois para o casal e disse num tom ríspido…. Continua

– Os lugares perto da janela são reservados separadamente. Não posso fazer nada quanto a isso. Não pagou por este assento, deveria ter pensado nisso antes, em vez de poupar e tentar dar-se ao luxo de ser compassiva. Uma jovem não é obrigada a trocar de roupa consigo.

O casal não disse mais nada e o guia foi-se embora. Senti uma estranha mistura de culpa e irritação. Não tinha feito mal a ninguém, simplesmente não tinha cedido a algo que era meu por direito. Porque é que me deveria sentir culpado agora?

Uma hora depois, reparei no homem a olhar para o telemóvel e na mulher a ler. Já não olhavam na minha direção.

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