Estava pronta para ir para o lixo, aquela cadeira velha que sobrevivera tantos anos. Mas algo em mim não a deixava ir. Não era apenas um móvel… Fazia parte da história da minha família. Lembrei-me dos livros que o meu avô lia, das noites tranquilas da minha mãe e de como eu, em pequena, adormecia nela, a ouvir contos de fadas. E decidi salvá-la.

Comecei por remover o tecido velho e desgastado, lixar a madeira danificada 🪵 e, em seguida, aplicar uma camada de verniz quente que deu vida ao seu lindo tom castanho.
Ele recuperou gradualmente a sua vida.

A escolha do tecido foi fundamental: escolhi um elegante azul-marinho com padrões geométricos requintados. Passei vários dias a costurar, ajustar e aperfeiçoar cada detalhe.
E agora, diante dos meus olhos, tornou-se irreconhecível – refinado, moderno, mas ainda assim cheio de emoção.

Quando a coloquei perto da janela, senti orgulho e uma ternura nostálgica. Esta cadeira não estava apenas restaurada: carregava todas estas histórias dentro de si, pronta para acolher novas.
Gargalhadas, revelações, momentos de calma… tudo voltou a ser possível.

Com ele, percebi que guardámos não só coisas, mas também memórias que pareciam ter desaparecido.
Hoje, esta cadeira tornou-se muito mais do que apenas um assento: é uma ligação viva entre o passado e o futuro.