Pensou que tudo estava acabado entre eles… até ao dia em que tudo mudou.

Ajoelhou-se diante daquele túmulo, naquele silêncio que só os cemitérios conseguem evocar. As flores brancas nas suas mãos tremiam ligeiramente.

Não do vento… mas de tudo o que não teve tempo de dizer, não teve tempo de o fazer.

A mulher que ali repousava era Clara. Estavam casados ​​há vários anos, mas a vida, as discussões, as feridas abertas… tinham-nos separado. Separaram-se. Sem ódio, mas com muitas coisas por dizer. Não se falavam há muito tempo. Tempo a mais.

Pensava que ela tinha começado uma nova vida, que estava feliz algures. Não sabia que ela carregava um segredo dentro de si. Um segredo que ela carregou consigo até ao fim.

Foi apenas quando recebeu um telefonema a convidá-lo para o funeral dela que descobriu a verdade…

Ele descobriu a verdade. A Clara tinha uma filha. A filha deles. 😯

Uma pequena criatura nascida do amor de ambos, numa época em que tudo parecia ainda possível. Ela nunca ousou contar-lhe. Por medo? Por mágoa? Ele nunca saberia com certeza. Mas ela deixou uma carta e pediu à irmã que lha entregasse. Dizia:

Não tive coragem de te dizer que foste pai. O nome dela é Lila. Ela tem os seus olhos. Cuide dela se puder. Ela merece conhecer o amor de um pai.

Releu estas linhas dezenas de vezes, com o coração apertado e as mãos trémulas.

Como é que ele não percebeu? Como é que ela conseguiu suportar este silêncio durante tanto tempo?

No seu túmulo, chorou não apenas por Clara. Lamentou o homem que tinha sido – demasiado cego, demasiado orgulhoso. Lamentou o pai que não conseguiu tornar-se.

Mas naquele dia, no meio da dor, algo de novo nasceu: uma promessa. Uma promessa de recuperar o tempo perdido, de encontrar Lila, de lhe dizer que não estava sozinha. Que ela tinha um pai. Que ele estava ali agora.

E apesar de tudo… o amor não desapareceu com Clara. Ele continua vivo. Em Lila.

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