A avó estava sentada perto da entrada a vender legumes, e depois vi acidentalmente a foto dela na parede do hospital e fiquei chocada 😱😱
À entrada da nossa casa, uma avó vendia aneto. Durante vários dias, vi-a ali – quieta, curvada, com um casaco surrado e um gorro de malha, sentada numa velha cadeira dobrável. Tive pena dela. Queria ajudar de alguma forma, amenizar de alguma forma o seu dia a dia.
Para não parecer que estou a dar uma esmola, decidi comprar apenas alguns legumes.
Sentava-se ali quase todos os dias, desde cedo. No verão, com baldes de aneto e salsa da horta. No inverno, da estufa. As suas verduras estavam sempre perfumadas, frescas, como se tivessem acabado de ser colhidas.

No início, comprei-o apenas por simpatia. E então percebi: gosto muito dela. Tão pequena, frágil, mas com porte, embora tenha provavelmente quase oitenta anos.
Sorri para ela, comprei aneto. Por vezes falávamos – sobre o tempo, sobre os preços, sobre os vizinhos.
Recentemente, apanhei uma forte constipação e fui ao hospital. Fiquei sentado na fila, aborrecido, a olhar para o quadro de fotografias. E, de repente, nem acredito no que vejo.
Há uma foto desta mesma avó do nosso quintal pendurada na parede 😱 Fiquei realmente chocada quando descobri toda a verdade sobre esta avó.

Tem vestido um jaleco branco e uma touca médica.
Assinatura:
“Zinaida Petrovna M., Doutora Homenageada da RSFSR. Cirurgiã-chefe do Hospital Clínico Municipal nº 3, 1969–1992.”
Saltei para mais perto. Definitivamente era ela.
No dia seguinte, aproximei-me dela, como de costume. Um saco de aneto e salsa. Ela assentiu afavelmente, como sempre. Decidi perguntar-lhe diretamente.
– Avó… a senhora era médica antes?
Ela gelou por um segundo. Depois sorriu, baixinho, tristemente:
“Então descobriu, mas como?”
— Vi a sua fotografia no hospital. Então era cirurgião?

Ela ficou em silêncio durante muito tempo. Então ela disse:
– Sim. Estava. Só que agora é passado. Toda a gente já esqueceu. Agora só quero uma comunicação humana simples, percebe?
Fiquei em silêncio. Um nó na garganta. E ela continuou:
– Quando perdi o meu marido e, mais tarde, o meu filho, a minha casa ficou vazia, a vida perdeu o sentido. Tudo o que me resta é aneto e salsa, por isso, pelo menos, não me sinto sozinha, consigo comunicar com as pessoas.
– Porque é que não quer descansar um pouco?
— Porque se ficar em casa, simplesmente não vou conseguir suportar.
Ela sorriu.
– Então, não me estou a queixar. Tenho uma casa e a minha reforma é suficiente.