Há trinta e quatro anos, Hollywood assistiu incrédula enquanto uma de suas atrizes mais famosas caminhava até o altar mais uma vez — desta vez com um operário da construção civil que vivia a um mundo completamente diferente dos holofotes.
Em 6 de outubro de 1991, no rancho Neverland de Michael Jackson, a estrela icônica casou-se com Larry Fortensky, um operário que se tornaria seu oitavo e último marido. A união não durou para sempre, mas terminou com afeto em vez de escândalo — e o romance improvável fascinou o público por décadas.

Um Encontro Casual Por Trás dos Muros da Clínica de Reabilitação
A história deles começou em 1988, dentro da Clínica Betty Ford. A superestrela de 56 anos estava se internando pela segunda vez. Larry, de 36 anos, havia chegado depois de sofrer um acidente com seu caminhão e ser preso várias vezes por dirigir embriagado, com sua estadia coberta pelo seguro do sindicato. Com os cabelos descoloridos pelo sol e um charme de classe trabalhadora, ele chamou a atenção dela.
Mais tarde, ela o apelidou de “Larry, o Leão”. Em 2011, Larry disse ao Daily Mail : “Eu sabia quem ela era, mas não posso dizer que realmente assisti aos filmes dela”. Mesmo assim, algo surgiu entre eles.
Durante as seis semanas de tratamento, um vínculo silencioso e intenso se formou. Ele admirava sua beleza; ela se apaixonou por sua natureza pragmática e objetiva. Ele descreveu o encontro com “a mulher real”, desprovida do glamour que sempre a cercara. Ela ficou cativada por sua simplicidade — um homem que cresceu em uma família modesta na Califórnia, nunca havia viajado de avião e vivia longe da sofisticação de Hollywood.
Visitas secretas e uma limusine atolada na lama
Segundo Larry, eles só começaram a namorar depois de saírem da reabilitação — embora até a irmã dele duvidasse disso. O romance floresceu enquanto ele se recuperava do acidente que o levou ao tratamento. A atriz mandava limusines buscá-lo em sua casa isolada, mas o carro frequentemente atolava na lama.
Larry tentou manter o relacionamento em segredo, até mesmo da família. Mas, no Natal de 1988, ela o convidou para o seu mundo — literalmente. Ele apareceu para uma breve visita à sua propriedade e “nunca mais saiu”. De repente, se viu cercado por funcionários, forte esquema de segurança e até um Van Gogh na parede. Era um universo que ele só conhecia de longe.
Um casamento digno de uma lenda — e paparazzi saltando de paraquedas do céu.
Neste dia, há 34 anos, eles realizaram um dos casamentos mais extravagantes que Hollywood já viu. Quase 200 celebridades se reuniram sob um gazebo branco no Rancho Neverland.
José Eber foi o padrinho de Larry; Carole Bayer Sager foi a dama de honra. Acima deles, o caos se instaurou — paparazzi sobrevoavam a propriedade em helicópteros, e um fotógrafo chegou a saltar de paraquedas antes de ser flagrado.
Lá dentro, a situação era igualmente surreal. “Michael Jackson passou a noite na pista de dança com um garotinho debaixo do braço”, lembrou Larry. A lista de convidados incluía nomes como Gregory Peck, Nancy Reagan e Eddie Murphy.
Em meio a todo o glamour, Larry continuava sendo o forasteiro — humilde, quieto e um pouco sobrecarregado.

Anjos na neve, bares de motociclistas e um papagaio travesso
Mais tarde, Larry compartilhou memórias pessoais da vida que compartilharam. Sua foto favorita mostrava Elizabeth fazendo um anjo na neve na Suíça — um momento espontâneo e infantil que ele guardava com carinho. Ela lhe comprou uma Harley e eles costumavam passear pela costa, parando em bares de motoqueiros onde ela usava capacete para se misturar.
“Ela adorava ser tratada como uma pessoa normal”, disse ele.
Ela também tinha um papagaio de estimação que imitava sua voz, gritando “Larry! Larry!” — para grande irritação dele.
Ele continuou trabalhando apesar da riqueza dela, recusando-se a ser financeiramente dependente. Seus colegas de trabalho zombavam dele quando o chef particular dela enviava seus almoços para o local de trabalho.
À noite, eles assistiam a filmes juntos — mas nunca os dela.

As rachaduras começam a aparecer.
Com o tempo, as pressões aumentaram. Elizabeth convenceu Larry a abandonar a construção civil e viajar com ela, mas ele teve dificuldades sem o emprego e a rotina. A saúde debilitada dela tensionou o relacionamento, e ele se mudou para um quarto separado. Segundo a irmã dele, esse foi “o começo do fim”.
O flash constante das câmeras não ajudava. “Nunca me acostumei com isso”, admitiu Larry. “Elizabeth se acostumou — eu não.”

Divórcio, dificuldades e uma ligação inquebrável
Em 1996, eles se divorciaram amigavelmente. Larry saiu com mais de um milhão de dólares, mas a má sorte o acompanhou. Um acidente em 1999 o deixou incapacitado para o trabalho, as contas médicas se acumularam e maus investimentos consumiram suas economias.
Ainda assim, eles permaneceram próximos. Conversavam várias vezes por mês e, quando ela soube da situação dele, escreveu uma carta prometendo apoiá-lo financeiramente. Mesmo depois do divórcio, ela continuou enviando dinheiro para ajudá-lo a manter a casa.
As tensões familiares aumentaram, alimentadas por disputas financeiras, e Larry se distanciou de seus irmãos e de sua filha.

A conversa final deles
A última ligação telefônica entre eles aconteceu um dia antes de Elizabeth ser hospitalizada. Sua voz estava rouca devido à congestão causada pelo agravamento de seu quadro cardíaco, mas ela o tranquilizou, dizendo que ficaria bem.
Ela não estava. Elizabeth Taylor morreu em 23 de março de 2011, aos 79 anos. Larry soube pela notícia.

“Eu tinha certeza de que ela iria melhorar”, disse ele.
Dias depois, ele recebeu seu último presente — uma cláusula em seu testamento que lhe deixava uma quantia significativa, embora seus filhos tenham herdado a maior parte de seus bens.
“Eu a amava, e sei que ela me amava”, disse ele.
Larry Fortensky faleceu em 2016, aos 64 anos, marcando o fim de uma das histórias de amor mais inesperadas, ternas e humanas de Hollywood.
