Pai de Francisco Palha é encontrado morto após horas de angústia e busca na herdade onde vivia

Num cenário que ninguém queria imaginar, a noite de sexta‑feira, 20 de fevereiro, transformou‑se em pesadelo para o cavaleiro tauromáquico português Francisco Palha, de 39 anos. O corpo de seu pai, António de Castro Van Zeller Pereira Palha — conhecido carinhosamente como “Nico” pelos mais próximos — foi encontrado sem vida na herdade onde vivia, em Paul da Vala, na localidade de Samora Correia. O desenrolar dos factos, lentamente reunido junto das autoridades e dos bombeiros voluntários, foi dramático e doloroso para todos os que acompanhavam de longe a espera angustiante por notícias.

António Palha não era visto desde as 17 horas de quinta‑feira, quando saiu para atividades aparentemente rotineiras na sua propriedade. As horas que se seguiram transformaram‑se em incerteza. Amigos e familiares, já com receio, notaram a ausência do homem, cuja presença discreta e afável marcava os encontros no meio taurino e rural da região. Quando a noite caiu e a sua ausência persistiu, os receios começaram a ser partilhados em voz baixa: algo não estava certo.

Foi apenas na noite de sexta‑feira que os Bombeiros Voluntários de Samora Correia, depois de receberem um alerta para uma “busca e resgate terrestre de pessoas”, se deslocaram à herdade e encontraram António Palha já sem vida numa estrada de terra batida, a cerca de um quilómetro de distância do seu veículo, que estava atolado numa zona de lama. A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de Vila Franca de Xira confirmou o óbito no local.

Elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR estiveram também no local, descartando inicialmente qualquer indício de crime. A hipótese mais forte levantada nas primeiras horas é a de que António possa ter sofrido um mal súbito enquanto tentava procurar ajuda para libertar o carro que havia ficado preso no terreno enlameado. Essa possibilidade, embora ainda não confirmada oficialmente, juntou‑se à tristeza de um fim inesperado e traumático para quem o conhecia bem.

O corpo foi posteriormente transportado para o Instituto de Medicina Legal em Vila Franca de Xira, onde uma autópsia foi ordenada para apurar as causas exatas da morte. Essa etapa, por mais técnica e clínica que seja, trouxe ainda mais sobriedade ao momento vivido pela família Palha e pelos que os rodeiam, numa espera silenciosa por respostas que tragam algum conforto às perguntas sem resposta.

Até ao momento, Francisco Palha não se pronunciou publicamente sobre a perda do pai. Nas redes sociais e entre aficionados do toureio, já começaram a surgir mensagens de pesar e apoio ao cavaleiro, cujo vínculo familiar sempre foi percebido como forte e cheio de respeito. A notícia, recebida com pesar no meio taurino e entre amigos próximos, destaca a presença discreta, mas marcante, que “Nico” tinha na vida de quem com ele conviveu.

O momento é de recolhimento e de reflexão sobre a vida breve e imprevisível que todos levamos, e de como um homem simples, discreto e querido por muitos agora deixa um silêncio profundo no coração de quem o amava. A cerimónia fúnebre ainda não tem data ou hora confirmadas, enquanto a família se organiza para prestar a última homenagem a António Palha.

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