Muito antes de se tornar uma das figuras mais emblemáticas e frontais do “Passadeira Vermelha”, o comentador David Motta percorreu um caminho de luxo e sacrifício que poucos conhecem. O consultor de moda, que hoje é um rosto familiar nas casas dos portugueses através da SIC Caras, decidiu abrir o seu baú de memórias mais preciosas para revelar como foi a sua vida de sonho e trabalho intenso em cidades como Nova Iorque e Londres.
A aventura começou cedo, com uma coragem que nem todos possuem aos 17 anos. David deixou Portugal para trás com um objetivo claro: estudar e conquistar o mundo. Através de parcerias internacionais da sua faculdade, ele viu-se subitamente no centro do furacão da moda mundial. Em Nova Iorque, a cidade que nunca dorme, Motta viveu o que muitos considerariam um conto de fadas moderno, mas que ele descreve com a maturidade de quem sentiu o peso da responsabilidade na pele.

O momento mais alto dessa jornada aconteceu nos corredores da lendária revista Vogue americana. Imagine-se ter apenas 18 anos e ser enviado para dar assistência numa sessão fotográfica com ninguém menos que Nicole Kidman. A estrela de Hollywood estava a posar para a capa da publicação, e ali, a poucos metros de uma das maiores divas do cinema, David Motta sentiu o verdadeiro pulso da indústria. Esse encontro não foi apenas um “momento de fã”, mas sim uma lição brutal de realidade. Segundo o stylist, estar perante produções desta magnitude ajudou-o a desconstruir a ilusão que a moda vende, transformando o sonho em algo prático e profissional.
Mas nem tudo foram luzes de estúdio. David confessa que, em Portugal, muitas vezes se sentiu pouco estimulado — criativa e monetariamente. Foi no estrangeiro que encontrou o oxigénio necessário para crescer. Em Londres, a sua carreira ganhou uma nova dimensão ao cruzar-se com a fotógrafa Matilde Travassos. Foi um reencontro do destino que o empurrou definitivamente para o styling, área onde ele admite ser, acima de tudo, muito bom.

A pandemia de 2020 trouxe o maior desafio de todos. Com o mundo parado e as revistas a fechar, o comentador teve de se reinventar. David não ficou de braços cruzados e decidiu partilhar o seu conhecimento através de cursos de consultoria de imagem que acabaram por se tornar sessões de autoajuda para muitos. O projeto cresceu tanto que se transformou num espaço multidisciplinar no Príncipe Real, em Lisboa.
Hoje, ao olhar para trás, David Motta não tem medo da palavra privilégio. Ele reconhece que, embora tenha começado como um grão de areia num areal imenso, a sua identidade própria abriu-lhe portas que muitos nunca conseguirão atravessar. Das ruas frenéticas de Manhattan ao glamour de Londres, cada passo foi essencial para moldar o homem sem filtros que hoje comenta a vida das estrelas, sabendo exatamente o que se passa nos bastidores que elas tentam esconder.
