Antes de falecer, a minha avó chamou-me quando estávamos sozinhos. A sua voz era fraca, quase um sussurro:
– Retire a minha fotografia da lápide daqui a exatamente um ano. Só então, não antes. Você promete?
Tentei dissuadi-la dos seus pensamentos sombrios:
– Avó, não diga isso, ainda vai viver um bom tempo…
Mas ela apenas sorriu fracamente e, fechando os olhos, repetiu:
“Promessa…”
Eu prometi. Nessa mesma noite, a minha avó deixou este mundo.
Um ano depois, quase me tinha esquecido daquele pedido estranho. Mas uma promessa é uma promessa. Desapertei facilmente os fechos do túmulo dela e, assim que tirei a foto, gritei:
– Isto não pode ser…

Escondida no verso do retrato da avó estava uma fotografia antiga e desbotada de uma jovem — brilhante, animada, com um sorriso radiante, num vestido justo com uma casa velha em segundo plano.
Ela parecia-se muito comigo. Mas com roupas antiquadas. Tirei uma fotografia à lápide e fui ter com o meu avô para pedir respostas. Ele parecia estar à espera dessas perguntas.
Quando lhe mostrei a foto, sorriu com alguma tristeza:

– Esta é a sua avó. Era assim que ela estava quando nos conhecemos. Uma beleza, dava para fazer um filme sobre ela.
– Mas porque é que ela escondeu isso atrás do retrato atual?
O avô suspirou, ficou em silêncio por um momento e depois disse:
– Ela… sempre se preocupou muito com a sua aparência. Principalmente na velhice. Ela costumava olhar-se ao espelho e dizer: “Porque é que ninguém coloca fotografias de jovens em monumentos? Precisamos mesmo de ser recordados como velhos para sempre?”.
E depois acrescentou: “Mas se eu colocar lá uma foto jovem, vão pensar que sou uma velha vaidosa…”

Sorri em meio às lágrimas. Tudo se encaixou. Ela só queria que eu a visse como ela realmente era, apenas um dia — daqui a um ano, quando a dor tivesse diminuído. Lindo. Vivo. Feliz.